quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Crânio atribuído a Hitler reacende dúvidas sobre sua morte

Crânio atribuído a Hitler reacende dúvidas sobre sua morte

Pesquisadores dizem que o crânio pertence a uma mulher jovem, que provavelmente tinha entre 20 e 40 anos


AFPFoto por AFP
Fragmento do crânio revelou que ele pertence a uma mulher jovem, que tinha entre 20 e 40 anos

Um fragmento de crânio que os especialistas acreditavam ser de Adolf Hitler é na verdade, o crânio de uma mulher não identificada. A informação é de um estudo norte-americano que reacendeu as dúvidas sobre a morte do líder nazista.

O fragmento, que apresenta uma marca de tiro, foi usado para sustentar a teoria de que Hitler tomou cianureto e disparou contra a própria cabeça em seu bunker de Berlim quando as tropas soviéticas se aproximavam, em abril de 1945. Durante décadas persistiram dúvidas sobre como o ditador teria morrido - incluindo especulações de que ele teria conseguido escapar.

O fragmento foi exibido pela primeira vez no Arquivo Federal de Moscou em 2000 como um troféu de guerra único que enchia os russos de orgulho. Além do crânio, as tropas soviéticas informaram que tinham exumado a mandíbula de Hitler e que a identidade dos restos mortais tinha sido confirmada com um exame de sua arcada dentária.

Agora, professores da Universidade de Connecticut afirmam que seus estudos mostram que o crânio pertence a uma mulher jovem, que provavelmente tinha entre 20 e 40 anos.

Suspeita

O arqueólogo e especialista em ossadas Nick Bellantoni contou ter suspeitado imediatamente que o crânio pertencia a uma mulher devido à estrutura óssea. Sua colega Linda Strausbaugh, diretora do centro de genética aplicada da universidade, aceitou fazer uma análise de DNA caso conseguisse extrair uma boa amostra.

No começo, os pesquisadores acharam que o mau estado de conservação do crânio fosse prejudicar a pesquisa.

- O que nos mostraram foi a parte que estava carbonizada. O fogo é um dos grandes inimigos para conseguir evidência de DNA.

O crânio tinha sido guardado em temperatura ambiente, o que também danificou o DNA. Mas o interior do fragmento não estava queimado, e "as quantidades que obtivemos estavam dentro da gama que devem ter as amostras de DNA", contou Linda. O resultado foi surpreendente, disse ela.

- O que o DNA nos disse é que era uma mulher.

A revelação foi feita em um novo documentário divulgado pelo canal History Channel, chamado "A fuga de Hitler", que relança a ideia de que o ditador alemão poderia ter conseguido escapar do cerco a Berlim.

Outros relatos

O historiador especialista em Holocausto Christopher Browning, professor da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, diz que os resultados dos exames não mudam o consenso de que Hitler morreu no bunker.

Os historiadores não se baseiam apenas no relato das tropas soviéticas. Outras investigações feitas na época, incluindo uma feita por oficiais da inteligência britânica, coletaram provas de testemunhas sobre os cadáveres de Hitler e de sua amante, Eva Braun.

Browning conta que os soviéticos disseram na época que os restos mortais atribuídos a Hitler e a Eva, além de Joseph Goebbels e de sua mulher e filhos, foram movidos de lugar várias vezes.

Se fossem obtidas mais amostras de DNA de membros da família que morreu no bunker, as relíquias poderiam contar sua história.

Por enquanto, a identidade do crânio nos arquivos de Moscou é um enigma, lamentou Linda.

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