segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Esta é uma história verídica sobre um homem que foi tratado como um macaco durante o século passado.


Esta é uma história verídica sobre um homem que foi tratado como um macaco durante o século passado.

um pigmeu iria tornar-se uma atracção. Ota Benga.

Trazido do Congo, Ota Benga, foi capturado e deixado como exibição num Zoo de Nova York, na Jaula dos Gorilas.

Ota Benga, um pigmeu adulto com 1,35 metros de altura

Ota Benga, um pigmeu adulto com 1,35 metros de altura

Os pigmeus vivem em África, em países como Camarão, Congo e Gabão e estão ameaçados de extinção devido a conflitos étnicos. Na República Democrática do Congo, consideram os pigmeus como uma espécie sub-humana devido à sua baixa estatura. Segundo as tradições, a carne destes pigmeus fornece poderes mágicos a quem a consome.

Tal como os animais na selva e os índios da Amazónia, também os pigmeus tentam resistir à desflorestação massiva provocada pelos fazendeiros e companhias de madeira europeias e chinesas. Alguns são vistos ocasionalmente em cidades conhecidas em que sobrevivem à custa de pequenos trabalhos quase escravos e na prática da prostituição.

Ota Benga na zona com os macacos

Ota Benga na zona dos macacos onde vivia

Ota Benga… Em 1888, um rei belga chamado Leopoldo II, dono do Congo, organizou uma espécie de exército de mercenários ao qual chamou de Force Publique. No fundo, era um grupo de polícias que também exerciam ocupação de terras. O grupo foi crescendo até que em 1900 já contava com 19,000 homens. Estes homens garantiam o trabalho escravo de carregadores e colectores de borracha. Quem saía fora da linha, não era bem tratado. Os mal comportados eram enforcados, torturados e mutilados. A barbárie era tão grande que este grupo policial chegou a desmembrar, pessoa por pessoa, aldeias inteiras, devido a considerarem as pessoas por estarem em estado inferior de evolução. Numa dessas actividades sangrentas de chacina estavam a mulher e os filhos de Ota Benga, um pigmeu que estava caçando e que regressava à povoação para comunicar ao seu povo que tinha abatido um elefante.

Ao ser visto pelo grupo de polícia, ao invés de ser morto, foi levado para um mercado de escravos. Uma vez que os pigmeus são realmente pequenos, isso chamou à atenção a um explorador que passava pelo mercado. Samuel Verner estava precisamente à procura de pigmeus para os exibir na Exposição universal de Saint Louis, no estado do Missouri, Estados Unidos, no ano de 1904.

Verner olhou para Ota Benga, viu os seus dentes laminados, e trouxe-o então em troca de um saco de roupa. Os pigmeus na altura eram consideradores uma raridade. Considerados uma curiosidade antropológica pelos primeiros exploradores europeus em África, os pigmeus que medem no máximo 1,35 metros, eram levados regularmente para outros países para exposições públicas.

Uns anos antes, em 1897, o tal dono do congo, o Rei Leopoldo II, tinha já apresentado em Bruxelas cerca de 250 homens, mulheres e crianças africanas. A exposição e representação da vida africada atraiu mais de um milhão de visitantes. Os africanos dançavam junto a réplicas de choupanas de bambu com telhados de palha. Era-lhes jogado comida o que, ainda por cima, lhes produzia indigestões acabando por o próprio rei Leopoldo ter mandado colocar um cartaz com a seguinte inscrição:

“Os negros só podem ser alimentados pelo comitê organizador.”

À noite, tal como os animais num zoo, eram recolhidos.

No outro lado do oceano Atlântico, o mesmo acontecia e foi para Ota Benga foi: para os Estados Unidos. Foi exibido, junto com outros pigmeus, numa secção de antropologia numa exposição. Junto a eles um letreiro dizia “Selvagens Primitivos”.

A novidade foi tão bem recebida e celebrada, que os pigmeus foram vistos por mais de 20 milhões de pessoas.

Mas os pigmeus não serviram só para serem vistos. Ota e seus amigos chegaram a ser usados como ratos de laboratório para estudos científicos. Alguns dos testes efectuados eram a avaliação da inteligência. O racismo veio a viciar os resultados:

“Os negros comportam-se da mesma forma que pessoas deficientes.”

Este pensamento “científico” teve suporte em diversos autores como Crookshank que décadas mais tarde escrevia que o homem branco vinha da evolução do chimpazé, o primata mais inteligente. Os orientais vinham dos orangotangos, e os negros dos gorilas, considerados fortes mas pouco inteligentes.

Cartaz de apresentação de Ota Benga

Livro escrito por Phillips Verner Bradford, familiar do explorador Samuel Verner

Depois de terminada a exposição, os pigmeus, incluindo Ota, foram levados de novo para África, tal como havia prometido o explorador Verner.

Ota Benga volta-se a casar mas a sorte não estava do seu lado, nem da sua esposa. Esta foi mordida por uma cobra e acabou por falecer. Acabando por ficar só, sem qualquer grupo que o aceitasse devido às más experiências passadas nas terras do homem branco, Ota Benga não teve outra saída que não voltar a juntar-se a Samuel Verner e voltar à América.

Apesar dos animais capturados em África terem sido vendidos a vários Zoos, Samuel Verner acabou por falir e teve também de vender Ota Benga. Este pigmeu acabou por fazer parte do património do Museu Americano de História Natural, em Nova York.

Central Park, em Mahattan. Não tinha preço de entrada obrigatório, podendo o visitante pagar o que entendesse. É gigantesco e tem uma área antropológica fenomenal onde um profissional explica cada osso de cada dinossauro com um conhecimento e interesse fora do comum.

Estando então Ota Benga à responsabilidade do Museu, surgiu William Hornaday, director do Bronx Zoological Garden. Este quis hierarquizar as raças de forma a mostrar a supremacia do homem branco sobre os selvagens pretos africanos, já que os considerava como macacos.

Pegou então em Ota Benga e colocou-o como ajudante do zoo. Ajudava na alimentação dos animais e podia até passear pelo zoo. Mas o pigmeu acabou por ter outra triste sorte e colocaram-no numa jaula com um orangotango. Ota Benga passou a fazer parte da “Casa dos Macacos”, onde tinha de andar com o seu arco e flecha, onde os disparos faziam parte de uma espécie de show de circo.

No dia 8 de Setembro de 1906, os visitantes liam a seguinte placa junto à jaula:

“Ota Benga, 23 anos de idade, Altura: 4 pés 11 polegadas, Peso: 103 libras. Trazido da foz do rio Kasai, Estado Livre do Congo, Centro Sul da África pelo Dr. Samuel Phillips Verner”

O director do zoo de Bronx, William Hornaday, viu a exibição como um espectáculo economicamente rentável, com hordas de pessoas a ir visitar a nova espécie, um pigmeu chamado Ota Benga, com apenas 1,35 metros de altura.

Os seus dentes afiados, serviam para devorar carne humana, segundo a imprensa local. Aproveitando esta lenda, colocaram ossos no fundo da jaula. A sensação foi tanta que Ota Benga chegava a ser visto por mais de 40,000 pessoas, por dia!!

Através do apoio de instituições religiosas, Ota Benga foi removido da jaula. Em 1906, foi levado para um asilo chamado Howard Colored onde ficou durante 4 anos, passando a estar sob a tutela da poetisa Anne Spencer. Esta tratou de arranjar os seus dentes e de lhe fornecer roupas americanas, ao invés das roupas selvagens as quais era obrigado a usar.

Anne Spencer

Anne Spencer

Benga estudou e começou a trabalhar numa fábrica local de tabaco. A sua pequena estatura era uma mais valia pois conseguia trepar e chegar onde os seus colegas nem pensavam ir. Ganhou a alcunha de Bingo. Tentou juntar dinheiro para voltar para África mas devido à 1ª Grande Guerra Mundial, tornou-se impossível e Ota Benga caiu em depressão.

Sem poder regressar a África, mas sem querer estar nos Estados Unidos, Ota Benga, em 20 de Março de 1916, tinha este 32 anos, arrancou as coroas que tinham implantado nos dentes, voltando a ficar como estavam na sua tribo em África. Fez uma espécie de dança tribal e disparou uma bala no peito, com uma pistola que tinha conseguido roubar.

Foi dado como morto e no seu atestado de óbito aparece escrito “Ota Bingo“.

fonte osdeusesdevenmestaloucos

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